Licença Creative Commons O trabalho Reflexões Refletidas de Fabrício Olmo Aride foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

terça-feira, 12 de dezembro de 2000

(...) ar

Eclipse solar
Movimento das águas do mar
A montanha escalar
No abismo desabar

Primavera em todo lugar
Deixar o vento levar
O fogo queimar
O fogo abrigar

A água refrescar
A água afogar
Falta de ar
Troca de ar

Para o céu decolar
No inferno aterrisar
O escurecer e o clarear
O ser e o estar

sábado, 18 de julho de 1998

Onde Estou

Estou em uma senzala
Faz de mim o que quer
Vivo só para você
Não consigo me libertar

Escravo seu
Escravo de mim
Recíproca escravidão

Estou preso
Na mesma cela que você
Me entreguei
Sem saber que havia cometido um crime

Preso com você
Preso por você
Livre sem você?

Estou em um labirinto de espelhos
Vejo sua imagem se tornar a minha
Estou perdido
Não consigo encontrar a saída

Perdido na vida
Na vida perdida?
Perdido de paixão

Estou em um hospício
Sob seus cuidados
Me seda o tempo todo
Perdi a noção do real

Louco com você
Louco sem você
Louco por você

domingo, 12 de julho de 1998

Novo Vírus

Início
Está um belo dia lá dentro
Desperdício
Lá fora passa o tempo

Oi, como vai você
Minhas amizades de "confissório"
Oi, como é você
O que me sobra fora do escritório

Inserir
Estou na era pós moderna
Excluir
A TV não será mais minha esfera

Ajuda
Preciso me levantar
Tortura
Não consigo mais andar

Digitar
Nem sei ler, como posso lhe ter
Deletar
Um mau futuro espera por você

Lixeira
Os donos do poder e as bactérias
Trincheiras
Cada vez mais profundas e cercadas de miséria

Erro
Tecnológico e social sem reciprocidade
Desespero
Chegou o novo vírus da sociedade

Sair... como?

sexta-feira, 3 de julho de 1998

Segunda Chance

No momento em que te vi
Algo forte despertou em mim
Tinha tanta coisa para falar
Mas tive medo de errar

Acabei errando
Acabei me enganando
Ao invés de resolver a questão
Preferi a omissão

Espero te ver mais uma vez
Em meio a milhões de pessoas
Espero mais uma chance, talvez
Mas o que não faço, nem Deus perdoa

Acabei errando
Acabei me enganando
Ao invés de resolver a questão
Preferi a omissão

Mas se eu te reencontrar
Eu juro que vou te falar
E se você disser que não
Eu pegarei na sua mão

Eu sei que você me quer
E sabe que não sou um qualquer
E se me disser que não sou eu quem sou...
Atrás de você eu vou.

Acabei errando
Acabei me enganando
Ao invés de resolver a questão
Preferi a omissão

quinta-feira, 25 de junho de 1998

Noites

Ei, você
Estou aqui te olhando
Tranquilo no meu canto
Mas louco para saber

Ei, você
Estamos conversando
Acho que você está gostando
Tenho chance de te ter

Há noites
Que parecem ser para sempre
Mas são apenas noites
Mas haverá aquela noite
Parecerá ser só mais uma noite
Mas que será para sempre

Ei, você
Estou te beijando
Acho que estou te amando
Pois amei te conhecer

Ei, você
Boas lembranças traz teu nome
Me dá seu telefone
Preciso te rever

Há noites
Que parecem ser para sempre
Mas são apenas noites
Mas haverá aquela noite
Parecerá ser só mais uma noite
Mas que será para sempre

Ei, você
Pensei que fosse dessa vez
Foi legal tudo o que a gente fez
Mas não vi o amanhecer...

quarta-feira, 17 de junho de 1998

Fantoche do Deboche

Enchem minha cabeça de ar poluído
Que me deixa totalmente entorpecido
Sou um decacampeão do mundo
Sou o glorioso Raimundo

Vejo crianças comendo um McLanche gostoso
Meu filho come McLixos que dão nojo
Bem que eu queria viver numa novela
Onde a irrealidade é sempre aquela

Idolatro os que ganham com minha desgraça
Sou figurante em uma farsa
Não percebo que represento o papel de otário
Enquanto eles riem e enchem o bolso de cascalho

Tenho liberdade de expressão
Mas sou censurado pela alienação
Aqui não existe pena de morte
Mas a miséria se alastra do sul ao norte

Para que minha politização
Se me basta uma pequena ilusão
Quem tem o poder na mão
Não se importa com a minha opinião

Coitados são os que crêem no que vêem
Coitados são os que não entendem o que lêem
Coitados são os que sentem pelos que mentem
Sou um fantoche do deboche

quinta-feira, 21 de maio de 1998

Constante Primavera

Por mais que se tente
Não se mente o que se sente
Pois amor e dor são semente
Do coração, não da mente

A chuva fecha o tempo
As lágrimas abrem o coração
E após esta tempestade de momento
A vida nos estende a mão

A vida é assim
Amor e dor possuem esteio
E com esses altos e baixos sem fim
Terminamos sempre no meio

A chuva vai embora
Raia o sol e uma nova era
Tentamos esquecer o antes, vivemos o agora
A vida é uma constante primavera