Sou um morto-vivo
Caminhando no deserto comigo
No horizonte vejo o tudo vazio
Ando pensando no nada vadio
Tenho vertigens constantemente
Isso é o que ocupa minha mente
Não me proporcionaram o real
Não sei se me sinto bem ou mal
Vejo minha casa
Mas quando me aproximo, cria asas
O deserto é meu abrigo
E nele tento fazer um amigo
Converso com os picos
Mas eles não me ouvem, também
O muro não me visitou e sozinho fico
Pois árvore aqui não tem
Vejo, depois somem os frutos
A miragem me segue no claro e no escuro
Vejo a fonte, quando a toco está seca
Sou uma escuridão acesa
Mas aqui vou seguindo
Em um lugar a cada hora
Procuro algo até o fim da história
Mas não sei o que não estou conseguindo
Não consigo me entender
Por que estou assim?
Acho engraçado o meu não ser
E o horizonte ri do meu fim
Me imagine do seu lado
Você me ignoraria
Ou de medo correria
Deste solo rachado
Sou um morto-vivo
Caminhando no deserto comigo
No horizonte vejo o tudo vazio
Ando pensando no nada vadio
Nesse deserto isolado
Só me resta este solo rachado
O meu ser nele foi enterrado
E o meu não ser não foi avisado
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O trabalho Reflexões Refletidas de Fabrício Olmo Aride foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada. |
terça-feira, 7 de abril de 1998
domingo, 1 de março de 1998
Teatro
Já era tarde
Pensava em algo para escrever
Mas a chuva forte e constante me hipnotizou
Dormi
Comecei a sonhar com as pessoas que convivo
Vi a vida como um teatro
Vi que a lança que fisga nossos corações
Possui um veneno muitas vezes cruel
Resolvi me isolar
Passei a me idolatrar
E após muito tempo de casado
Enjoei do amor que sentia por mim
Entrei em conflito
E no momento em que ia me separar de mim à força
A sol apareceu para me salvar
Acordei assustado
Sua luz ofuscava meu rosto
Fiquei acordado de olhos fechados
E é assim que sempre devemos estar
Pessoas precisam de pessoas
Pensava em algo para escrever
Mas a chuva forte e constante me hipnotizou
Dormi
Comecei a sonhar com as pessoas que convivo
Vi a vida como um teatro
Vi que a lança que fisga nossos corações
Possui um veneno muitas vezes cruel
Resolvi me isolar
Passei a me idolatrar
E após muito tempo de casado
Enjoei do amor que sentia por mim
Entrei em conflito
E no momento em que ia me separar de mim à força
A sol apareceu para me salvar
Acordei assustado
Sua luz ofuscava meu rosto
Fiquei acordado de olhos fechados
E é assim que sempre devemos estar
Pessoas precisam de pessoas
sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Débeis
Luzes fluorescentes
Cores resplandecentes
Movimento frenético
Não analítico e sintético
Durante a jornada
A vertigem do nada
Realidade enlouquecida
Renasce a moda falecida
Cultura do novo
O que vem deste ovo?
Mais e mais nunca é demais
Nos acostumamos a sermos virtuais
Onde foi parar o nexo?
O que era simples ficou complexo
Conceitos mudam a toda hora
O que era fato virou flato agora
Muito além do necessário
O fútil se tornou arbitrário
Ideologias estéreis
Atitudes débeis
Cores resplandecentes
Movimento frenético
Não analítico e sintético
Durante a jornada
A vertigem do nada
Realidade enlouquecida
Renasce a moda falecida
Cultura do novo
O que vem deste ovo?
Mais e mais nunca é demais
Nos acostumamos a sermos virtuais
Onde foi parar o nexo?
O que era simples ficou complexo
Conceitos mudam a toda hora
O que era fato virou flato agora
Muito além do necessário
O fútil se tornou arbitrário
Ideologias estéreis
Atitudes débeis
sexta-feira, 6 de fevereiro de 1998
Vazio
Corridas intempestivas
Contra fábulas nativas
Vezes distante, vezes perto
Desequilibrando no incerto
Na saída do labirinto
Não há absolutamente nada
O que existia está extinto
Não há mais porta de entrada
Eis uma grande iluminação
Que aumenta ou cega a visão
E chove a brasa incandescente
Queimando no inconsequente
Olha-se para dentro
Sente-se por fora
E o que parece no centro
Foge universo afora
O que se esperava?
Onde estava?
Lá vem a água do rio
Desaguando no vazio
Contra fábulas nativas
Vezes distante, vezes perto
Desequilibrando no incerto
Na saída do labirinto
Não há absolutamente nada
O que existia está extinto
Não há mais porta de entrada
Eis uma grande iluminação
Que aumenta ou cega a visão
E chove a brasa incandescente
Queimando no inconsequente
Olha-se para dentro
Sente-se por fora
E o que parece no centro
Foge universo afora
O que se esperava?
Onde estava?
Lá vem a água do rio
Desaguando no vazio
quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Hã?
Ao nascer do pôr do sol
Numa tarde anoitecida
Eu cheguei à conclusão
De que o tudo não é nada
Porque você não é mais você
Estou querendo ver para crer
Porque o por que já não tem pois
E o antes já não tem depois
Ao morrer da escuridão
Numa noite amanhecida
Eu cheguei à conclusão
Que nada é tudo que eu tenho
Se não tenho, não retenho
Não sei se vou ou se venho
Me sentindo assim perdido
O que contém, o que está contido?
Numa tarde anoitecida
Eu cheguei à conclusão
De que o tudo não é nada
Porque você não é mais você
Estou querendo ver para crer
Porque o por que já não tem pois
E o antes já não tem depois
Ao morrer da escuridão
Numa noite amanhecida
Eu cheguei à conclusão
Que nada é tudo que eu tenho
Se não tenho, não retenho
Não sei se vou ou se venho
Me sentindo assim perdido
O que contém, o que está contido?
sexta-feira, 12 de abril de 1996
Maligna Ação
Guerra insana
O que você quer
Detonar
O que na frente vier
E esse sangue
Escorre por quê
É nosso degredo
Queremos viver
Guerra insana
Tente explicar
Por que nos persegue
E quer nos mutilar
É por terra
Por religião
Ou será por dinheiro
Não existe a razão
Destruição, degredação
Destruição, degradação
Destruição em expansão
Destruição, maligna ação
O que você quer
Detonar
O que na frente vier
E esse sangue
Escorre por quê
É nosso degredo
Queremos viver
Guerra insana
Tente explicar
Por que nos persegue
E quer nos mutilar
É por terra
Por religião
Ou será por dinheiro
Não existe a razão
Destruição, degredação
Destruição, degradação
Destruição em expansão
Destruição, maligna ação
quarta-feira, 17 de janeiro de 1996
Sai Dessa
Sai dessa vida meu velho,
ajoelhar acaba deitado.
Se pisar em mais gente
acabará sendo pisado.
Conseqüências de uma vida,
a tua vai ser massacrada.
Não ponha a cara pra bater,
pois você vai levar porrada.
Abra os olhos meu irmão,
tua vida vai chegar.
Sinta o gosto em sua boca
desse sangue amargo.
Abra os olhos meu irmão,
tudo vai acontecer.
Quero ver se vai ter sorte,
eu vou pagar pra ver.
Sai dessa vida, meu velho,
pra você não ser condenado.
Pois quem nada na lama
acaba sempre afundado.
Você diz que não sabe
como é ser humilhado.
Mas humilha as pessoas
pra sentir-se consagrado.
Abra os olhos meu irmão,
tua vida vai chegar.
Sinta o gosto em sua boca
desse sangue amargo.
Abra os olhos meu irmão,
tudo vai acontecer.
Quero ver se vai ter sorte,
eu vou pagar pra ver.
ajoelhar acaba deitado.
Se pisar em mais gente
acabará sendo pisado.
Conseqüências de uma vida,
a tua vai ser massacrada.
Não ponha a cara pra bater,
pois você vai levar porrada.
Abra os olhos meu irmão,
tua vida vai chegar.
Sinta o gosto em sua boca
desse sangue amargo.
Abra os olhos meu irmão,
tudo vai acontecer.
Quero ver se vai ter sorte,
eu vou pagar pra ver.
Sai dessa vida, meu velho,
pra você não ser condenado.
Pois quem nada na lama
acaba sempre afundado.
Você diz que não sabe
como é ser humilhado.
Mas humilha as pessoas
pra sentir-se consagrado.
Abra os olhos meu irmão,
tua vida vai chegar.
Sinta o gosto em sua boca
desse sangue amargo.
Abra os olhos meu irmão,
tudo vai acontecer.
Quero ver se vai ter sorte,
eu vou pagar pra ver.
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