Licença Creative Commons O trabalho Reflexões Refletidas de Fabrício Olmo Aride foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

sexta-feira, 8 de maio de 1998

Incógnita

Sinto-me uma incógnita
Mudo a cada instante
Sou um adulto
Tenho recaídas de criança

Tento vencer as inseguranças
Lutando contra fantasmas
Penso ser
Às vezes não penso o que será

Dos caminhos a escolher
Muitas vezes trilho os mais complicados
Acabo me perdendo
Sempre espero me reencontrar

Não sei onde irei parar
Espero que o sol ilumine o meu caminho
E o mesmo vento que me carrega
É o mundo de sonhos que me mantém

terça-feira, 7 de abril de 1998

Andarilho

Sou um morto-vivo
Caminhando no deserto comigo
No horizonte vejo o tudo vazio
Ando pensando no nada vadio

Tenho vertigens constantemente
Isso é o que ocupa minha mente
Não me proporcionaram o real
Não sei se me sinto bem ou mal

Vejo minha casa
Mas quando me aproximo, cria asas
O deserto é meu abrigo
E nele tento fazer um amigo

Converso com os picos
Mas eles não me ouvem, também
O muro não me visitou e sozinho fico
Pois árvore aqui não tem

Vejo, depois somem os frutos
A miragem me segue no claro e no escuro
Vejo a fonte, quando a toco está seca
Sou uma escuridão acesa

Mas aqui vou seguindo
Em um lugar a cada hora
Procuro algo até o fim da história
Mas não sei o que não estou conseguindo

Não consigo me entender
Por que estou assim?
Acho engraçado o meu não ser
E o horizonte ri do meu fim

Me imagine do seu lado
Você me ignoraria
Ou de medo correria
Deste solo rachado

Sou um morto-vivo
Caminhando no deserto comigo
No horizonte vejo o tudo vazio
Ando pensando no nada vadio

Nesse deserto isolado
Só me resta este solo rachado
O meu ser nele foi enterrado
E o meu não ser não foi avisado

domingo, 1 de março de 1998

Teatro

Já era tarde
Pensava em algo para escrever
Mas a chuva forte e constante me hipnotizou
Dormi
Comecei a sonhar com as pessoas que convivo
Vi a vida como um teatro
Vi que a lança que fisga nossos corações
Possui um veneno muitas vezes cruel
Resolvi me isolar
Passei a me idolatrar
E após muito tempo de casado
Enjoei do amor que sentia por mim
Entrei em conflito
E no momento em que ia me separar de mim à força
A sol apareceu para me salvar
Acordei assustado
Sua luz ofuscava meu rosto
Fiquei acordado de olhos fechados
E é assim que sempre devemos estar
Pessoas precisam de pessoas

sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998

Débeis

Luzes fluorescentes
Cores resplandecentes
Movimento frenético
Não analítico e sintético

Durante a jornada
A vertigem do nada
Realidade enlouquecida
Renasce a moda falecida

Cultura do novo
O que vem deste ovo?
Mais e mais nunca é demais
Nos acostumamos a sermos virtuais

Onde foi parar o nexo?
O que era simples ficou complexo
Conceitos mudam a toda hora
O que era fato virou flato agora

Muito além do necessário
O fútil se tornou arbitrário
Ideologias estéreis
Atitudes débeis

sexta-feira, 6 de fevereiro de 1998

Vazio

Corridas intempestivas
Contra fábulas nativas
Vezes distante, vezes perto
Desequilibrando no incerto

Na saída do labirinto
Não há absolutamente nada
O que existia está extinto
Não há mais porta de entrada

Eis uma grande iluminação
Que aumenta ou cega a visão
E chove a brasa incandescente
Queimando no inconsequente

Olha-se para dentro
Sente-se por fora
E o que parece no centro
Foge universo afora

O que se esperava?
Onde estava?
Lá vem a água do rio
Desaguando no vazio

quarta-feira, 18 de dezembro de 1996

Hã?

Ao nascer do pôr do sol
Numa tarde anoitecida
Eu cheguei à conclusão
De que o tudo não é nada

Porque você não é mais você
Estou querendo ver para crer
Porque o por que já não tem pois
E o antes já não tem depois

Ao morrer da escuridão
Numa noite amanhecida
Eu cheguei à conclusão
Que nada é tudo que eu tenho

Se não tenho, não retenho
Não sei se vou ou se venho
Me sentindo assim perdido
O que contém, o que está contido?

sexta-feira, 12 de abril de 1996

Maligna Ação

Guerra insana
O que você quer
Detonar
O que na frente vier

E esse sangue
Escorre por quê
É nosso degredo
Queremos viver

Guerra insana
Tente explicar
Por que nos persegue
E quer nos mutilar

É por terra
Por religião
Ou será por dinheiro
Não existe a razão

Destruição, degredação
Destruição, degradação
Destruição em expansão
Destruição, maligna ação