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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Não fique triste, criança

Não fique triste, criança
Foi melhor assim
Às vezes o adulto se cansa
E você presencia o fim

Tão pura
Convivendo com desavenças
Às vezes um mal não se cura
E generaliza doenças

Você só estava junto
Ouvindo de perto ou escondida
Vendo cair o seu mundo
E ficou com a maior ferida

Tão pequena, só queria ajudar
Dando amor a quem vivia a brigar
Descobriu cedo a fraqueza humana
Que tanta tristeza emana

Viu que a vida é um circo armado
Mas não é um mundo encantado
Pode até ser um lindo mar
Mas que pode inundar um lar

Não fique triste, criança
A brincadeira tem que seguir
Uma cadeira foi tirada da dança
E alguém teve que sair

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Voceu II

Aquele momento
Que tudo foi embora
Não tem mais lamento
Aconteceu em boa hora

Dá tempo para prosseguir
E voltar a sorrir
A vida é uma só
Chega de nó

Ficou uma solidão imensa
E uma vontade intensa
De seguir em frente
Pois já estava evidente

Não daria para continuar
No mesmo lugar
Sofrendo pelas mesmas razões
Sufocando-se nas mesmas questões

Se o não superou o sim e o talvez
É hora de ceder a vez
Libertar para ser libertado
Não tem mais certo, nem errado

Não tem mais recado, mentira, meia verdade
Só sobrou a realidade
De que é necessário se recompor
Saber lidar com a dor

Porque os anos passam
As pessoas passam
Embora saiba que quase nada é seu
Voceu tem que cuidar de voceu

Voceu é tudo o que tem
Pense no seu bem
Pare de ser prisioneiro
Isso é amor próprio e verdadeiro

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O coração

Um coração
Muito engraçado
Não tinha afeto
Enclausurado

Ninguém podia
Entrar nele não
Ele gostava
Da solidão

Ninguém podia
Matar-lhe a sede
Protegido
Por uma parede

Ninguém podia
Lhe distrair
Porque ele nunca
Esteve ali

Mas era feito
Com muito esmero
Congelado
Abaixo de zero

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ciclo vicioso

Ciclo vicioso
Para forçar sentimentos que não tem
Acalma o nervoso
O torna zen

Ciclo vicioso
Para afastar o sofrimento
No começo, zelozo
No fim, lamento

Ciclo vicioso
Para ponderar o ansioso
No começo, anestesiado
No fim, condenado

Fugindo da realidade
Abafando a infelicidade
O fim se aproxima lentamente
Mas o ciclo seda a mente

E quando a validade acaba
Tudo desaba
O que aquecia, agora gela
O que era liberdade, agora é cela

Aí tudo vira confusão
A realidade derruba a ilusão
A razão derruba a emoção
E eis a resposta da questão

O ciclo vicioso segura uma onda
Mas vem outra gigante em seguida
Que, quando bate, estronda
Hora de acordar para a nova vida

domingo, 27 de dezembro de 2015

É Hora III

Na vida pacata ao longo dos anos
Muito desgaste debaixo dos panos
Eclode uma anunciada revolta
E tudo morre em volta

E tudo morre por dentro
Agora no canto, antes o centro
E eis a perplexidade
No lugar da tristeza, conformidade

Momento de escolher
Pondo tudo a perder
Mas nada compra a serenidade
Fim de uma era de ansiedade

É hora do não querer
De sentir o poder
Desta missão abortar
Já que cansou de brigar

Para quem ficou, não foi esperado
Achou que, divinamente, tudo seria superado
Mas a bola de neve ficou insustentável
E o que era sólido, quebrantável

Para quem olha de fora, só achismo
Em nome do falso moralismo
Não aprendeu que não deve falar
Se não está no lugar

É hora de parar de aceitar
Mesmo que o mundo venha a julgar
Impaciente, insensível, egoísta
É hora de percorrer uma nova pista

Que todos tenham paz
Desta vez, não dá mais
Com o tempo tudo se ajeita
De mudanças a vida é feita

sábado, 26 de dezembro de 2015

Sinto muito

Por não ter aguentado
Ter me esquivado
Pela rejeição
Pela solidão

Pelas discussões
Questões
Exageros
E outros erros

Por me forçar
E me sufocar
Pelo declívio
E pelo alívio

Muita felicidade e paz
Tudo de bom
Se você quer, você faz
Você tem esse dom

Sinto muito
Pelo fim da estrada
Sinto muito
Por não sentir mais nada

sábado, 22 de agosto de 2015

Jaula

Experimento social
Na jaula do caos total
Como hienas gargalham
Com a dignidade encalham

Em estado de letargia
Muita reclamação e muita apatia
Detestam a própria situação
Mas bajulam os que lhes causam indignação

Ficam por ali
Anestesiados a sorrir
Com a barriga empurram
De mesmice se empanturram

Quem está certo?
Quem está errado?
Quem se arrisca para ser liberto?
Ou quem está seguro encarcerado?