Licença Creative Commons O trabalho Reflexões Refletidas de Fabrício Olmo Aride foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

domingo, 27 de dezembro de 2015

É Hora III

Na vida pacata ao longo dos anos
Muito desgaste debaixo dos panos
Eclode uma anunciada revolta
E tudo morre em volta

E tudo morre por dentro
Agora no canto, antes o centro
E eis a perplexidade
No lugar da tristeza, conformidade

Momento de escolher
Pondo tudo a perder
Mas nada compra a serenidade
Fim de uma era de ansiedade

É hora do não querer
De sentir o poder
Desta missão abortar
Já que cansou de brigar

Para quem ficou, não foi esperado
Achou que, divinamente, tudo seria superado
Mas a bola de neve ficou insustentável
E o que era sólido, quebrantável

Para quem olha de fora, só achismo
Em nome do falso moralismo
Não aprendeu que não deve falar
Se não está no lugar

É hora de parar de aceitar
Mesmo que o mundo venha a julgar
Impaciente, insensível, egoísta
É hora de percorrer uma nova pista

Que todos tenham paz
Desta vez, não dá mais
Com o tempo tudo se ajeita
De mudanças a vida é feita

sábado, 26 de dezembro de 2015

Sinto muito

Por não ter aguentado
Ter me esquivado
Pela rejeição
Pela solidão

Pelas discussões
Questões
Exageros
E outros erros

Por me forçar
E me sufocar
Pelo declívio
E pelo alívio

Muita felicidade e paz
Tudo de bom
Se você quer, você faz
Você tem esse dom

Sinto muito
Pelo fim da estrada
Sinto muito
Por não sentir mais nada

sábado, 22 de agosto de 2015

Jaula

Experimento social
Na jaula do caos total
Como hienas gargalham
Com a dignidade encalham

Em estado de letargia
Muita reclamação e muita apatia
Detestam a própria situação
Mas bajulam os que lhes causam indignação

Ficam por ali
Anestesiados a sorrir
Com a barriga empurram
De mesmice se empanturram

Quem está certo?
Quem está errado?
Quem se arrisca para ser liberto?
Ou quem está seguro encarcerado?

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Som do solo

Ouve o som desse solo
A natureza não para de se mover
Ouve o som desse solo
A guitarra não para de enlouquecer
Solo tremendo
Solo ensurdecendo
Descarregando os sentimentos
Afogando os lamentos
É preciso partir para a vida depois
Estando sozinho, nunca a dois
Para encarar as questões primordiais
E se degladiar com os tais
Para o futuro da própria vida
Em becos que parecem sem saída
Mas de repente tudo melhora
Em boa hora
Tempo curto para curtir o agora
Depois da calmaria o ciclo recomeça
O solo estressa
De fazer a mente girar
Vertigem do ciclo a reciclar
Ouve o som desse solo
A natureza não para de se mover
Ouve o som desse solo
A guitarra não para de enlouquecer

Bela imagem

Lidar com complexidades
Esbarrar em coisas básicas
Aprender e desaprender pelas idades
Vertigens e mágicas

Responsabilidade e preocupação
Livramento e diversão
Luta contra o medo
Desistiu de entender o enredo

Olhando para si
Desconsiderando o se
Nas contramãos
Justo é o que cabe nas mãos

Lei da sobrevivência
Não existe coerência
Só mente e coração
O sim e o não

É pesada a caminhada
Entre a cruz e a espada
Mas no caminho há paisagem
Olha só que bela imagem

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O lado

Tudo parece tão urgente
Até você olhar para o lado
Emaranhado de gente
Emaranhado de emaranhado

Correria do dia a dia
Desistir é covardia
É necessário continuar
Correr para um resultado devagar

Perdendo-se no excesso de informação
Numa era em que o excesso não é exceção
Vida dura
Busca de aprendizado e cura

É o mundo em que vivemos
Lembremos que somos tudo o que temos
Falta afeto e compreensão
O estresse é o vencedor da eleição

Não são ilusões que farão mudar
Os problemas que estão no mesmo lugar
Reflita sobre tudo o que lhe frustra
Para que possa olhar para si de forma justa

domingo, 5 de julho de 2015

Robô

Momentos em que você está sozinho
Os que deviam lhe apoiar
Fugiram para outro caminho
E só voltarão para lhe cobrar

Jogaram tudo sobre seus ombros
Se não aguentar a carga
Ficará entre os escombros
Da loucura que se alarga

Sente a pressão no peito
Sente a causa e o efeito
Sabe que não é o culpado
Mas acaba frustrado

Você não precisa passar por isso
Nem aceitar tudo omisso
Omisso das próprias sensações
Refém de todas as tensões

Você já sabe lutar
Ponha-se a brigar
Ninguém pode lhe tratar como um robô
Retome a paz de quem lhe roubou