Licença Creative Commons O trabalho Reflexões Refletidas de Fabrício Olmo Aride foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Câmera

Em câmera lenta
Silêncio completo
Que desorienta
O cerebelo, o intelecto

Aquela hora H
Onde é difícil voltar
Em que algo conspira
E pira

Se é contra ou a favor
Louvor ou horror
É ali naquele momento
A chance de um intento

Algo que pode mudar tudo
Se tiver coragem de jogar fora o escudo
E apostar que algo pode dar certo
No meio da ilha do incerto

Jogando com a sorte
Vida longa ou morte
Correndo em busca de ser
Sem medo de perder

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Janelas da Alma

Janelas da alma
Ressentimento, trauma
Bloqueio de amor
Pânico, dor

Sem noção do que fazer
De ira se entorpecer
Rejeição a algo ou alguém
Deixar ir, mas vem

Palpitações em um coração
Sem disturbios fisiológicos
Abrir mão é tentação
Devaneios ilógicos

Fé vazia
Sentimento de anarquia
Vontade de apagar tudo
Deixar o coração surdo e mudo

Versos que desabafam
Contra janelas que nos abafam
É necessário seguir
Mesmo sem saber onde ir

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sonho

Sonho dormindo
Voando ou caindo
Confuso
Um tanto difuso

Sonho desperto
Longe ou perto
O caminho existe
Insiste ou desiste

Sonho que vira pesadelo
Muitos nós no novelo
Sofrimento para desfazer
Sofrimento para se refazer

Sonho com auxílio
Ou no completo exílio
Busca de realização
Em cada decisão

Sonho e capacidade
Sonho e compulsão
Sonho e realidade
Sonho ou ilusão?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ditadura

Ditadura do consumo
E com tanto insumo
Distribuição desigual
Bem inibido pelo mal

Ditadura das palavras
Pronunciadas com travas
Com objetivos escusos
Manipulando os exclusos

Ditadura da morte
Pouca saúde
Muito esporte
Ilude

Ditadura da ignorância
Educação sem relevância
Múltiplos desrespeitos
Eleitos

Ditadura da malandragem
Dinheiro e maquiagem
Desvio fatal
Ditadura global

sábado, 27 de abril de 2013

Ponto

Ponto perto
Ponto certo
Ponto errado
Desapontado

Ponto G
Ponto a desfazer
Ponto de cruz
Ponto de luz

Desponto
Ponto de fusão
Até que ponto
Ponto de interrogação

Ponto de ebulição
Ponto de exclamação
Pontos interligados
Pontos desconectados

Após apontar, afinal
Todos os pontos
Então são três pontos
Ou ponto final

terça-feira, 16 de abril de 2013

O Homem Bom

O homem bom não tem preguiça
Não atiça
Não fala o que não deve
Não fuma, nem bebe

O homem bom não enraivece
Obedece
Tem paciência
Mede cada consequência

O homem bom é pontual
Sacerdotal
Muito positivo
Nada cansativo

O homem bom é diligente
Inteligente
Um perfeito amante
Nada desinteressado, nada desinteressante

O homem bom é doutrinado
Equilibrado
Sempre oferece auxílio
E seu lar como exílio

O homem bom é companheiro
Doa-se por inteiro
Não passa por dilemas
Não lhe preocupam os problemas

O homem bom é esportista
Ativista
Socialista
Com o conforto capitalista

Homem bom
Homem-dom
Quem o espera, que se oriente
Ou procure nos céus o Clark Kent

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Eixo

Posso ter certas crenças
E depois perdê-las
Posso ter desavenças
E depois esquecê-las

Posso ficar doente
E depois me recuperar
Posso ser inteligente
E depois errar

Posso ficar irado
E depois calmo
Posso cometer um pecado
E depois ler um salmo

Posso ficar silencioso
E depois falar
Posso me tornar rigoroso
E depois flexibilizar

Posso ser coerente
E depois me sabotar
Posso ser reticente
E depois acreditar

Posso ter ideais de esquerda
E mesclá-los com os de direita
Posso chorar uma perda
Um dia a vida endireita

Posso mudar minhas opiniões
A cada dia, novas lições
E uma lição de meu pai eu não deixo
Devo sempre encontrar o meu eixo