Licença Creative Commons O trabalho Reflexões Refletidas de Fabrício Olmo Aride foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Celular

Saímos para jantar
Sentamos à mesa
Começamos a conversar
Eis a surpresa

Seu celular toca
É a sua amiga
Você não se toca
Fala, fala e não desliga

Aproveita o aparelho
E entra nas redes sociais
O visor é o seu espelho
Quer acessar algo mais

Eu ali calado
Tomo coragem
Para lhe deixar de lado
Lendo cada mensagem

Fique aí com o seu celular
Se é melhor do que tenho para falar
Será mais proveitoso eu partir
Terei mais horas para dormir

sábado, 17 de dezembro de 2011

Seres Racionais

Dia de leitura
Sobre as notícias do planeta
Mais uma caricatura
Da mesma faceta

Ameaça nuclear
Superpopulação
Poluição do ar
Corrupção

Guerra civil
Trabalho escravo e infantil
Desmatamento
Aquecimento

Saúde precária
Educação deficitária
Previdência em falência
Saneamento em decadência

Miséria e fome
Pessoas sem moradia
Realidade que não some
Do nosso dia a dia

Há quanto tempo se discutem
Estas mesmas questões
E as mídias repercutem
Todas aquelas reuniões

Pela paz se faz guerra
Que jamais se encerra
Morte de inocentes civis
Por interesses vis

Passam-se os anos
A tecnologia avança
Mas os mesmos danos
Abalam a esperança

Somos dotados de ufanismo
E nos contentamos com o eufemismo
Somos mais destrutivos que os outros animais
E nos consideramos seres racionais

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Chuva

Descanso forçado
Pelo fardo prolongado
Olhando pela janela
Como se estivesse numa cela

A chuva faz o seu trabalho
Para fugir dela, busca-se atalho
Às vezes exagera na quantidade
E enche toda a cidade

É importante para o mundo
Pois limpa o que é imundo
Hidrata a seca dos lugares
Alimenta lagos, rios e mares

Mas quando desatina
Torna-se assassina
Provoca enorme desgraça
E rezamos para que se desfaça

Chuva, você é necessária
Mas é tão arbitrária
Poderia escolher melhores horas
E cair sem grandes demoras

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Espírito de Criança

Palavras que não despertaram aplauso
Mas um silêncio refletor
Não eram um causo
Mas um convite ao deserto interior

Entraram nos ouvidos como tesouro
Sabedoria mais valiosa que ouro
Aquela voz clamou no deserto
Mas só escutou quem estava perto

Cansados na peregrinação
A voz era como uma mão
Que nos colocou em sua palma
E nos guiou com muita calma

Nos disse que sem reconhecer medo, angústia e carência
O deserto não abrirá o caminho do amor
E que se tivermos esta consciência
Será possível uma vida de felicidade e sem rancor

Estas palavras causaram uma solidão sonora
Quem as escutou até esqueceu da hora
Um por um, removeu-se cada tentáculo
E irrompeu-se num coração livre de obstáculo

O fermento, levedando, transformou-se em pão
E tudo acabou em um fraternal aperto de mão
Solidariedade, paz, justiça, concórdia, esperança
Espírito de criança

Medo

Excesso de preocupação
Excesso de precaução
Medo de chegar ao fim
Antes mesmo de chegar ao enfim

Outra vez acabou... de começar
Se a porta está aberta, não fechar
Olhar para dentro de si
Buscar a força que está ali

As ruas continuam movimentadas
Nas rotinas quase sempre inalteradas
Sentir o sopro da inspiração
E confiante partir à ação

Assim se passa o tempo
Muitas vezes veloz, às vezes lento
No amanhecer frenético que se fez
Correr com meio passo de cada vez

E pode parecer incrível
Para muitos até um segredo
A vida é dura, não impossível
E a paz virá da luta contra o medo

domingo, 4 de dezembro de 2011

Deserto

Peregrinando pelo deserto, o viajante
Ouve um ruído distante
Um murmúrio triste e lento
Trazido pelo vento

Ouvindo mais atento
Reconhece o lamento
De um deserto sem fertilidade
Como anda o coração da humanidade

Destruição de florestas
Jogadas desonestas
Violência e sofrimento
Vidas ao relento

Individualismo em voga
Pessoas cada vez mais distantes
Consumismo sem folga
Atitudes intolerantes

A verdade está camuflada
E a bondade precisa ser praticada
Pois a desertificação cresce
Enquanto o planeta aquece

Nada Contra

Nada contra a maré
Nada contra a fé
Nada contra ninguém
Nada contra o bem

Nada contra o dito
Nada contra o rito
Nada contra o correto
Nada contra o discreto

Nada contra o estudo
Nada contra o escudo
Nada contra o austero
Nada contra o sincero

Nada contra a cidade
Nada contra a idade
Nada contra o caminho
Nada contra o espinho

Nada contra a vida
Nada contra a morte
Nada contra a despedida
Nada contra a sorte

Nada contra a novidade
Nada contra a vaidade
Nada contra o conteúdo
Nada contra tudo